Primeiras Guerras

PRIMEIRAS GUERRAS

As Primeiras Guerras foram uma série de conflitos que eclodiram após a Travessia de diversas raças, atualmente conhecidas como Vanir, para Midgard.

Midgard rapidamente se tornou uma base estratégica. Os Asteri abriram portas para outros mundos, atraindo seus cidadãos para cá, seres poderosos e ansiosos para conquistar novos planetas. No entanto, esses visitantes não perceberam que os verdadeiros conquistadores eram os próprios Asteri. Ao mesmo tempo, os Asteri também usaram essas portas para avançar e conquistar outros mundos, transformando Midgard em um ponto central de disputa entre Vanir, Asteri e humanos.

Os conflitos tiveram início quando os Vanir chegaram ao planeta, determinados a conquistá-lo e afirmar sua superioridade sobre os humanos que já habitavam a região, cujas cidades e civilizações haviam se desenvolvido de forma independente. Ao mesmo tempo, esses invasores encontraram outros povos inicialmente sob disfarces amistosos, mas armados e preparados para lutar pelo território, igualmente desejosos de colonizar Midgard.

Início das Primeiras Guerras

Theia, Rainha do mundo natal dos feéricos, foi convencida por Pelias, seu comandante, a abrir um portal para um novo planeta. Utilizando os Tesouros Nefastos deixados pelos Asteri, o Chifre e a Harpa, ela conduziu seu povo para Midgard, incluindo os feéricos leais e alguns portadores de habilidades especiais herdadas de sua linhagem Estrelada, tornando-se a primeira feérica Estrelada a pisar no novo mundo.

Ciente da importância estratégica de Midgard, Theia começou a planejar como consolidar a presença de seu povo. As tensões rapidamente se intensificaram. Enquanto os Vanir avançavam de cidade em cidade, reivindicando terras, os humanos resistiam, unindo suas cidades-Estados em alianças improvisadas para conter a invasão.

A guerra rapidamente se transformou em um conflito de grande escala, caracterizado por confrontos violentos, pilhagem e escravização de humanos para construir fortalezas, estradas e acampamentos militares. Diversas cidades foram ocupadas, incluindo Parthos.

No decorrer da guerra, a chegada de outros feéricos, vindos de um mundo diferente e desconhecido de Theia, complicou ainda mais a situação. Esses novos aliados apresentavam características semelhantes às do povo de Theia — orelhas pontudas, graça, força —, mas eram todos Metamorfos, capazes de se transformar em animais e exibindo dentes caninos mesmo em sua forma humanoide. Theia logo percebeu que nem todos os aliados eram confiáveis; alguns estavam sendo manipulados, incluindo Pelias. Ela descobriu que os Asteri, manipuladores por trás da chegada de diversos povos, controlavam grande parte da situação, transformando o que parecia uma simples conquista em um jogo complexo de estratégias e armadilhas.

Confiando apenas em suas filhas, Silene e Helena, Theia mandou elas passarem um mês escondidas, observando e investigando a verdadeira natureza de Midgard e de seus habitantes recém-chegados. Ao retornar, elas revelaram que Rigelus, líder dos Asteri, e seus companheiros não eram feéricos, mas parasitas que conquistavam mundo após mundo, alimentando-se da magia e da vida de seus cidadãos.

Theia iniciou negociações estratégicas para formar um exército capaz de enfrentar os Asteri e consolidar o domínio dos Vanir sobre Midgard. Primeiro, ela reuniu os feéricos fiéis que a haviam seguido desde sua terra natal, totalizando aproximadamente dez mil combatentes.

Também foi atrás dos humanos. Durante as reuniões, revelaram a Theia algo que haviam descoberto há muito tempo, embora ignorassem certos detalhes: os Asteri haviam contaminado a água de Midgard com um parasita que se infiltrou nos corpos das criaturas mágicas, prejudicando sua magia. Além disso, haviam criado um ritual, a Descida, para marcar a maioridade de todos os seres mágicos que chegavam ao planeta e de seus descendentes, liberando uma explosão de magia, a Primalux, para que pudessem se alimentar dela. Por não possuírem magia, os humanos não eram afetados e observavam em silêncio, enquanto os feéricos e demais habitantes mágicos se tornavam involuntariamente escravos desse controle: um simples gole de água os ligava aos Asteri, sem possibilidade de reversão.

Para ampliar as forças, Theia abriu comunicações com o Inferno, outro mundo que havia expulsado os Asteri, estabelecendo um portal para entrar em contato com Aidas, Príncipe do Desfiladeiro do Inferno, solicitando reforços. Aidas enviou cinquenta mil soldados.

Theia também tomou medidas para proteger seus artefatos mais poderosos. O Chifre e a Harpa, vitais para abrir portais entre mundos, foram cuidadosamente escondidos em um “bolso de nada”, acessível apenas a ela, garantindo que os Asteri ou mesmo Pelias não pudessem utilizar esses instrumentos contra seus exércitos.

O acampamento principal foi montado em regiões montanhosas, utilizando o terreno como barreira natural contra ataques. Em vez disso, ficaram com frio e fome, quase sem tempo para preparar as forças. Aidas havia retornado ao seu mundo para recrutar mais soldados, então quando os Asteri atacaram, o Inferno não conseguiu ajudar. Theia nem se deu ao trabalho de tentar abrir um portal. As forças de seus exércitos em Midgard já estavam esgotadas; os novos recrutas levariam dias para serem reunidos. Silene e Helena imploraram para que ela abrisse o portal de qualquer maneira, para pelo menos conseguir a ajuda dos príncipes, mas Theia não acreditava que adiantaria muito.

Theia permaneceu na linha de frente em diversas batalhas, conduzindo pessoalmente estratégias e protegendo seu povo. Antecipando a possibilidade de traição ou derrota, ela dividiu parte de seu poder Estrelado entre as filhas: confiou a Silene a Harpa e a Reveladora da Verdade, enquanto entregou à Helena o Chifre, garantindo que os Asteri não concentrassem todo o poder em suas mãos caso a alcançassem. Contudo, essa precaução não foi suficiente. Traída por Pelias, seu próprio comandante, Theia foi assassinada. Após sua morte, Pelias reivindicou Áster para si e foi proclamado por Rigelus como o primeiro Príncipe Estrelado de Midgard, apagando deliberadamente a memória de Theia e de Silene. Esta última conseguiu retornar ao mundo natal dos feéricos, mas Helena permaneceu em Midgard, forçada a casar-se com Pelias contra sua vontade, dando continuidade a linhagem Estrelada.

Conclusão

O ápice das Primeiras Guerras ocorreu no confronto direto entre Pelias e Apollion, Príncipe do Fosso do Inferno. A batalha se estendeu por três dias ininterruptos, marcada por uma brutalidade devastadora. Empunhando o poder do Chifre até seu último suspiro, Pelias conseguiu banir Apollion, seus irmãos e os exércitos de volta para o Inferno. Esse momento consolidou a vitória das forças de Midgard e selou a Fenda do Norte de forma permanente, restringindo futuros atravessamentos apenas a pequenas fissuras ou a rituais de grande complexidade. Contudo, antes de ser expulso, Apollion obteve seu próprio triunfo sombrio: matou Sirius, a Estrela Vespertina, e devorou seu corpo, provando que até mesmo os Asteri podiam perecer.