A RBMedia, empresa responsável pelos audiobooks dos livros da série Corte de Espinhos e Rosas em inglês, acabou de liberar o primeiro snippet oficial de A Court do Splitenred Harmony, Corte de Harmonias Partidas o famoso ACOTAR 6.
No trecho de quase cinco minutos, de um capítulo não identificado, temos o primeiro ponto de vista confirmado: nosso querido mestre espião, Azriel.
Para ouvir o áudio original, basta entrar no site da RBMedia, e abaixo vocês conferem a transcrição traduzida para português:
O vento uivante, açoitado pela chuva, arrancava de Azriel qualquer resquício de calor que ainda lhe restasse. As escamas de sua armadura negra de nada serviam contra o frio letal carregado por aqueles uivos. Tampouco seus sifões, cuja luz azul brilhava de maneira sobrenatural em meio ao aguaceiro que tornava escorregadia cada pedra do desfiladeiro de Monteserre, nem suas sombras, que mal conseguiam se agarrar às asas semi congeladas enquanto rajadas de chuva fustigavam o vale.
Cinco séculos de treinamento, porém, o mantinham concentrado. Permitiam que silenciasse os gritos em sua mente, os de seu próprio corpo, exigindo que encontrasse calor, e rápido.Ele não estava ali para se poupar. Tinha uma tarefa a cumprir.
Outro uivo de arrepiar rasgou a noite, tão vazio e cortante que Az poderia jurar que até a chuva estremecera.
Ele já havia ido mais longe do que deveria. As ordens de Rhys e Feyre haviam sido claras: observar, mas não intervir.
Ainda assim, como poderia não fazê-lo?
Como poderia voltar quando as respostas estavam tão próximas?
Mesmo que seus inimigos também estivessem.
Um simples sussurro o levara até ali, um rumor captado pelo mais repugnante de seus espiões, que há meses permanecia nas montanhas que cercavam o castelo apodrecido de Koschei, o Imortal.
Um objeto de poder há muito adormecido agora desperta. Dizem que repousa no topo de Rothhorn, o pico de Monteserre, à espera de ser encontrado. Seus inimigos enviarão o que têm de pior para alcançá-lo antes de vocês.
A caçada começará em breve.
Nada além disso.
E assim Az correra para aquelas montanhas, atravessando o mundo entre sombras e ventos, voando a uma velocidade que Rhys e Cassian considerariam imprudente, mesmo enquanto seu poder diminuía.
Você vai arrancar essas asas das costas se mergulhar numa rajada dessas. Quase conseguia ouvir Cassian repreendendo-o.
Mas ignoraria os conselhos imaginários dos amigos. Se perdesse as asas, que fosse. Tinha outras maneiras de se mover pelo mundo. E elas haviam sido um incômodo grande o bastante ao longo dos séculos para que ele não lamentasse vê-las desaparecer.
Não o destruiria como destruiria Cassian ou Rhys.Mas as asas de Az haviam resistido aos ventos ferozes, pareciam determinadas a permanecer para sempre presas ao seu corpo, tão obstinadamente quanto suas sombras agora se agarravam a ele enquanto observava o terreno.
Ele esperava encontrar soldados, assassinos, espiões esgueirando-se pelas sombras. Não uivos carregados pelo vento. Não os rosnados, os latidos, aquele lamento canino.
Monteserre realmente enviara o que tinha de pior.
Com o vento golpeando de todas as direções, era impossível distinguir quantos lobos-do-vento rondavam em meio àqueles uivos, e quase impossível determinar onde estavam. Eram feitos tanto de carne quanto de ar, capazes de alternar entre um estado e outro com a mesma facilidade que suas espiãs meio-espectrais. Mas eram muito, muito mais letais que Nuala e Cerridwen.
Azriel estreitou os olhos para o pico muito acima. Localizara a pequena caverna durante o voo até ali. Pouco antes, a chuva e o vento o haviam obrigado a mergulhar para o lado protegido do rochedo mais próximo, evitando que fosse arremessado contra as pedras.
Podia até ser indiferente ao que acontecesse com suas asas, mas certamente não tinha nenhum desejo de morrer, embora a Mãe soubesse que Rhys acreditava no contrário.
Ali.
Bem acima.
Um tênue lampejo de fogo derramou-se sobre a encosta do penhasco e então desapareceu.
Alguém havia entrado na caverna.
Os uivos continuavam.
As sombras de Az sussurraram, rápidas e ofegantes:
Eles rondam a entrada da caverna. Bloqueiam todas as passagens. Cavalgam os ventos da tempestade. Não existe caminho até a caverna que não nos obrigue a confrontá-los.
Mas ele precisava chegar mais perto. Precisava descobrir se quem quer que saísse daquela caverna estaria de posse do objeto que procuravam. Concentrando seu poder, Az ordenou mentalmente que uma das sombras deslizasse em direção ao pico.
Ela não se moveu. Apenas permaneceu encolhida sob o abrigo de sua asa esquerda, como se não quisesse se aventurar pela chuva e se aproximar daqueles uivos.
— Vá — ordenou.
Empurrou um pouco mais de seu poder, de sua vontade, para dentro da sombra. Um pouco mais, mas não demais.
Nunca demais.Ele se certificara de que ninguém jamais visse toda a extensão horrenda do poder daquelas sombras, e não pretendia começar naquele dia. Mas podia colocar um pouco mais de força por trás delas. Um leve empurrão.
Isso, ele podia permitir.
Créditos da tradução @unfortm no X.
